Cartas de Gestão #23

Sua fazenda possui uma estrutura de custos?

04 de setembro de 2020
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SUA FAZENDA POSSUI UMA ESTRUTURA DE CUSTOS?
Muito se fala sobre custos de produção em fazendas e como é importante ter um custo baixo. Porém, quando as coisas não são tratadas com o devido rigor podem acabar surgindo alguns problemas.

Veja, você acredita que exista alguma fórmula mágica ou alguma espécie de segredo para fazer as coisas?

A verdadeira fórmula mágica é que não existem fórmulas mágicas. E é por isso que quando falamos sobre custos de produção em fazendas e tantos outros pontos importantes, precisamos ter um mínimo de profundidade.

Deixa eu tentar ilustrar para ver se fica mais claro o que estou querendo dizer.

Quando se repete muito sobre a importância de se ter custos baixos, que precisamos cortar custos sempre em fazendas, é claro que está certo (e de certo modo é até óbvio).

Mas isso não significa que você deva procurar produzir sempre gastando o mínimo. E nem tampouco que você deva sair cortando custos a torto e a direito.

Uma fazenda com sistema de confinamento para engorda pode gastar 3, 4 ou 5 vezes mais do que uma fazenda de engorda com pecuária extremamente extensiva e mesmo assim ter um custo mais baixo!

Já falei sobre isso em outras oportunidades e vou repetir até ficar rouco. Precisamos começar a enxergar os números de forma relativa. O custo que importa é o custo médio (R$/unidade produzida) e não o valor absoluto.

Além disso precisamos ser seletivos no controle de custos.

Eu mesmo já cometi este erro ao tentar cortar custos em todos os pontos e acabar comprando produtos que nem sequer tinham registro para a finalidade que ele deveria cumprir.

E, consequentemente, isso acaba gerando ineficiências e prejudicando o processo produtivo.

É o barato que sai caro.

Sendo assim, uma das etapas na gestão de custos é a estruturação do custo de produção. Como assim?

Perceba que podem existir vários e vários itens que vão estar compondo o custo de produção. Isso vai variar conforme a fazenda, mas são vários insumos, produtos e serviços.

Ora, precisamos então organizar estes custos de modo que facilite a nossa vida em uma etapa posterior da gestão de custos que é a análise.

E uma maneira de organizar estes custos é por meio do que nós chamamos de centros de custos. O que são esses centros de custos?

São formas de agrupar determinados itens em um mesmo conjunto. É como se estivéssemos separando cada item que está compondo o custo de produção em diferentes tipos de grupos.

E existem duas formas básicas de se fazer isso.

A primeira é por meio de etapas do processo produtivo. Ou seja, nós dividiríamos o processo produtivo em etapas e cada etapa seria um centro de custo.

Essa é uma forma interessante e funciona muito bem.

Por exemplo, em fazendas de agricultura poderíamos ter as seguintes etapas (e, consequentemente, os seguintes centros de custos): pré-plantio, plantio, condução da lavoura, colheita e pós-colheita.

E aí o que faríamos é agrupar os gastos relacionados a cada etapa do processo produtivo no seu respectivo centro de custo.

O problema dessa abordagem é que podemos ter os mesmos insumos ou insumos muito similares em diferentes centros de custos.

Considere os fertilizantes, por exemplo. Poderíamos ter gastos com fertilizantes no pré-plantio, no plantio e na condução da lavoura.

E suponha que os custos com fertilizantes estejam absurdamente altos na nossa fazenda hipotética.

Veja que seria possível que essa informação passasse despercebido, caso os gastos com fertilizantes ficassem "diluídos" em mais de um centro de custo. E isso poderia acabar prejudicando nossas análises e o restante da gestão de custos.

Para resolver essa pendência, temos uma segunda abordagem que é fazer centros de custos de acordo com o tipo do custo.

Dessa forma, nós teríamos vários centros de custos (na prática você pode criar quantos centros de custos quiser, mas quanto mais, maior a complexidade também).

Poderíamos ter os seguintes centros de custos, por exemplo: sementes, fertilizantes, defensivos (poderíamos até abrir e fazer os centros de custos de herbicidas, inseticidas e fungicidas), operações com máquinas, corretivos de solo que não fertilizantes (como calcário e gesso), mão de obra fixa, mão de obra variável, despesas com energia elétrica, manutenções, medicamentos veterinários, vacinas, alimentos concentrados, alimentos volumosos, assistência técnica, pró-labore do produtor, depreciação, produtos para limpeza de ordenha, etc. etc. etc...

Percebe que para uma futura análise dos custos, nosso trabalho ficará muito mais preciso?

Poderemos encontrar mais facilmente quais os pontos precisamos dar mais atenção e desenvolver uma estratégia para redução de custos mais certeira.

Por isso, minha sugestão é que você faça uma estrutura de custos de produção com base nos centros de custos por tipos de produtos.

Você tem liberdade aqui para criar os centros de custos (lembre-se do aumento da complexidade quando começamos a detalhar demais).

Mas, de maneira geral, pense nos principais itens que compõem o custo de produção da sua fazenda e faça os centros de custos da sua propriedade.

E aí seu trabalho será vincular cada gasto com o respectivo centro de custo, registrando os valores e agrupando-os de maneira adequada.

Não se trata de produzir gastando o mínimo possível ou sair cortando custos de qualquer jeito.

Para se realizar uma gestão de custos bem feita e de forma profissional é preciso que haja uma estrutura de custos de produção em que você possa identificar com precisão cada ponto, poder analisar o quadro geral e pontos mais específicos e, somente assim, definir uma estratégia para reduzir o custo de produção da fazenda.

Lembre-se: sem dados e informações não há nada que possamos fazer na gestão do negócio. Mas com dados e informações desorganizados ou sem nenhum tipo de estruturação, também não poderemos fazer muita coisa.

Um forte abraço,

Gabriel

Autor
Gabriel H. Lima
Eng. agrônomo e fundador da PATRIA

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